Sunday, June 13, 2010

Futuro do E-learning: Tecnologias Relevantes

O Horizon Report é um relatório anual produzido pela New Media Consortium e pela EDUCAUSE Learning Iniciative. A New Media Consortium é uma associação sem fins lucrativos de entidades ligadas ao ensino que estuda o uso de novas tecnologias. Os seus membros incluem um número significativo de universidades da América e Norte e algumas universidades europeias. A EDUCAUSE é também uma organização sem fins lucrativos, com sede nos EUA e membros espalhados pelo mundo. O relatório procura identificar tecnologias emergentes que possam vir a ter impacto no ensino. As tecnologias são analisadas numa perspectiva de curto prazo (um ano), de médio prazo (dois a três anos) e de longo prazo (quatro a cinco anos).

O relatório de 2010 refere as seguintes tecnologias e tendências com potencial para adopção no ensino:
  • Num horizonte de curto prazo – computação móvel e disponibilização aberta de conteúdos.
  • Num horizonte de médio prazo – livros electrónicos e realidade aumentada.
  • Num horizonte de longo prazo – computação baseada em gestos (gesture-based computing) e análise visual de dados.
No curto prazo, a computação móvel refere o uso para fins pedagógicos de dispositivos que muitos alunos já transportam consigo: computadores portáteis, smartphones ou iPods, por exemplo. O potencial destes equipamentos já foi discutido neste trabalho. O uso destes dispositivos móveis no ensino corresponde ao m-learning destacado no Horizon Report de 2010 e igualmente referido na edição de 2009. A título de exemplo e para ilustrar o potencial dos dispositivos móveis integrados com as plataformas de e-learning, destaca-se a aplicação mTouch para o iPhone da Apple. Esta aplicação permite o acesso e a interacção com cursos no LMS Moodle. A disponibilização aberta de conteúdos diz respeito à tendência de muitas universidades disponibilizarem livremente os conteúdos dos seus cursos on-line.

No médio prazo, os livros electrónicos e os equipamentos dedicados para a sua leitura são apontados como uma das tecnologias com grande potencial de aplicação ao ensino. A nível destes dispositivos a referência é o Kindle da Amazon. A realidade aumentada é igualmente referida com potencial elevado no horizonte de médio prazo. Aplicações de realidade aumentada existem já disponíveis para smartphones.

No longo prazo, a computação baseada em gestos, ou seja, a interacção com equipamentos electrónicos através de gestos naturais é referida como uma tecnologia a ter em conta em futuras aplicações na área da educação. Estas aplicações terão sempre um campo de utilização muito específico. Este tipo de tecnologias já existe actualmente, destacando-se a consola de jogos Wii da Nintendo e também os ecrãs tácteis de muitos smartphones. A análise visual de dados respeita à interpretação visual de grandes quantidades de dados, descobrindo padrões, tirando partido de ferramentas de software de análise e dispositivos de visualização.

A edição de 2009 do Horizon Report destaca também outras tecnologias e tendências: a computação em nuvem (cloud computing) num horizonte de curto prazo (ou seja, algo que se perspectivava para estar em uso pleno em 2010, o que de certa forma se verifica), a personalização (horizonte de curto prazo) e as aplicações com tratamento semântico da informação (horizonte de longo prazo), ambas integradas na Web Semântica, e a georeferenciação (horizonte de médio prazo) que começa já ser vulgar em muitas aplicações, particularmente para smartphones.

Friday, June 11, 2010

E-learning 2.0: Ponto de Situação

É um facto assente que os educadores actuais reconhecem, em cada vez maior número, a importância das tecnologias nas actividades pedagógicas. Para além das potencialidades inerentes ao uso das ferramentas que a tecnologia proporciona está também presente a necessidade de adaptar as actividades pedagógicas às vivências da geração mais jovem, que ficou conhecida pela “net generation”. A convivência com a tecnologia não se restringe, no entanto, apenas aos indivíduos que nasceram quando o mundo desenvolvido já se encontrava imerso em tecnologia. A geração dos pais desses jovens, onde se incluem os seus educadores, e mesmo a geração anterior a essa, convive já regularmente com a tecnologia e com um mundo onde o acesso à informação é permanente.

O termo “e-learning”, apesar de muitas vezes conotado com o ensino à distância, não presencial, representa a utilização de diversas ferramentas tecnológicas no ensino, em particular, aquelas relacionadas com as tecnologias de informação e comunicação. Seja como auxiliar ao ensino tradicional presencial, seja em sistemas de ensino à distância, seja em sistemas mistos (blended), o e-learning é já indissociável do ensino.

As redes de comunicação, em particular a Internet, contribuem de forma significativa para as ferramentas ao dispor do ensino. A evolução da Internet, o surgimento da World Wide Web e, mais recentemente, o paradigma da Web 2.0, implicaram mudanças que tiveram particular impacto a nível social. Este efeito na sociedade afectou também os sistemas de ensino e os métodos pedagógicos. Na vertente tecnológica, o termo “e-learning 2.0” reflecte as mudanças introduzidas pela Web 2.0 no ensino assistido pelas tecnologias.

Um “mapa mental”, da autoria de George Siemens, procura fornecer uma visão de conjunto do e-learning:


Para lidar com a realidade introduzida pelo paradigma da Web 2.0, surgiram novas teorias de aprendizagem como o construtivismo social ou o conectivismo. O papel das ferramentas tradicionais de e-learning, os LMS, tem sido também analisado tendo em conta as ferramentas da Web 2.0. As mudanças sociais e tecnológicas tiveram também impacto na forma como ensino é visto. A aprendizagem já não é considerada apenas como um processo formal, controlado e limitado no tempo e espaço, mas algo que ocorre em diversas circunstâncias da vida das pessoas, que é fruto de fontes variadas e que tem de lidar com uma quantidade de informação que evolui rapidamente. A aprendizagem é omnipresente na vida do indivíduo e desenrola-se ao longo da sua vida (“anytime, anyplace, anywhere, for any reason”).

Dado que a informação deixou de ser um bem escasso, a dificuldade é agora saber gerir e filtrar a informação disponível. Mais importante do que o que se sabe é saber como chegar à informação e seleccionar a que é relevante com a consciência de que o prazo de validade dessa informação é cada vez mais curto. Na visão de George Simens, o saber como e o saber o quê estão a ser suplantados pelo saber onde (“know-how and know-what is being supplemented with know-where”).

O processo de aprendizagem, no contexto do e-learning 2.0, passa então a estar centrado no indivíduo, que possui maior controlo sobre esse processo. Os PLE e os e-portefolios são alguns dos lados visíveis deste novo processo. A aquisição de conhecimento resulta da interacção com comunidades, da aprendizagem entre pares e do contacto especialistas nas várias áreas de conhecimento. O processo tradicional em que o professor detinha e transmitia conhecimento, com os alunos a ser os receptores desse conhecimento, passa para um processo em que alunos e professores são produtores e consumidores de conhecimento. Esta forma de disseminar o conhecimento corresponde à visão da Web 2.0 como uma plataforma participativa e colaborativa de leitura e escrita (a read/write web). Tudo isto obriga a repensar o papel dos professores e o próprio conceito de sala de aula.

Apesar da mudança estar em curso, o seu impacto nos sistemas de ensino tradicionais ainda não é muito visível. Os investimentos feitos pelos estados e pelas instituições de ensino revelam-se mais a nível de equipamentos e infraestruturas do que nível dos currículos e processos de ensino. Existem várias experiências de aplicação das ferramentas do e-learning 2.0 mas muitas delas são ainda processos isolados e pontuais. Nem todos os educadores estão ainda conscientes das novas realidades. A iliteracia digital de muitos profissionais do ensino é uma barreira à adopção dos novos métodos pedagógicos que o e-learning 2.0 preconiza. Parte da sociedade actual vê ainda com alguma desconfiança as mudanças sociais que as tecnologias e a Web 2.0 têm introduzido. E algumas dessas preocupações poderão ser pertinentes. O prémio Nobel da literatura de 1998, José Saramago comentou, de forma crua, a utilização do Twitter (ver este post). A visão crítica de outros sectores da sociedade, sobre o uso e efeitos das tecnologias, deve ser encarada com objectividade e ponderação e ser usada como elemento moderador por todos aqueles que desenvolvem tecnologias e investigam a sua utilização nas várias áreas de actividade, onde o ensino é uma área particularmente sensível.

Saturday, May 29, 2010

As Diferentes Dimensões da Aprendizagem

A aprendizagem ocorre, desde sempre, em diferentes cenários. Tradicionalmente, assume-se que a aprendizagem é regulada por processos formais sob controlo institucional (uma escola ou uma instituição de formação profissional, por exemplo). A aprendizagem de um indivíduo vai, no entanto, muito para além do que ocorre nestes processos formais. Muitas vezes, as pessoas aprendem de forma inesperada sem que estivessem especificamente a procurar aprender algo. Também na execução de uma tarefa ou no exercício de uma actividade profissional, a aprendizagem e a aquisição e melhoramento de competências está permanentemente presente. Ela ocorre mesmo no convívio social, fora das instituições formais e do contexto profissional.
Enquanto que o ensino formal está normalmente limitado por espaços físicos, em horários estabelecidos, e ocorre em períodos determinados da vida, a aprendizagem efectua-se ao longo da vida e em todas as suas componentes:Esta visão da aprendizagem coincide com o que é preconizado pelo conectivismo de George Siemens.

Esta realidade assume particular relevância na sociedade actual, onde a informação é omnipresente e com diversas formas de acesso. As comunidades (de prática, de índole social ou outra) potenciadas pelas tecnologias de informação e comunicação (pdf) permitem a partilha de conhecimento e a aprendizagem entre pares à escala global e a uma velocidade que apenas há uma ou duas décadas atrás não era possível. Todas estas questões têm de ser tidas em conta pela sociedade em geral e pelos sistemas de ensino formais em particular, quer sejam geridos pelos estados, de iniciativa privada ou geridos pelo mundo empresarial com objectivos de formação profissional.

Uma das dimensões da figura acima tem a ver com o ensino formal e o ensino informal. O ensino formal é entendido como o sistema escolar estruturado e hierarquizado que cobre desde o ensino básico ao ensino superior e que inclui outras formas de ensino, de estrutura similar, mas com objectivos de formação profissional.

O ensino informal é um processo que ocorre ao longo da vida onde um indivíduo adquire conhecimento, atitudes, valores e competências na sua actividade diária e a partir de fontes diversas, desde a família e os vizinhos até ao contexto da sua actividade profissional, passando também pelas suas actividades lúdicas e de lazer. Na perspectiva de Jay Cross, as pessoas adquirem informalmente grande parte dos conhecimentos que usam na sua actividade profissional. Através da observação dos outros, por tentativa e erro e simplesmente trabalhando lado a lado com pessoas mais experientes. Na sua opinião, o ensino formal contribui apenas com cerca de 10% a 20% daquilo que uma pessoa aprende num contexto profissional.

A aquisição de conhecimento pode ainda ser intencional, quando o indivíduo procura explicitamente adquirir esse conhecimento, ou acidental, quando essa aquisição ocorre sem que o indivíduo o esperasse ou procurasse.

Os sistemas de e-learning 2.0 e as diversas ferramentas da Web 2.0 que suportam diversas redes de interacções entre pessoas consituem o ambiente tecnológico que potencia este processo permanente, diversificado e ubíquo de aprendizagem.

Friday, May 28, 2010

Portfólios Digitais

No campo do ensino, um portfólio é uma compilação de documentos descrevendo um determinado processo de aprendizagem ou o percurso de aprendizagem de um indivíduo. Quando essa compilação é armazenada em formato digital designa-se por e-portfólio (portfólio digital). Estes constituem assim o registo electrónico do percurso de aprendizagem e das competências adquiridas. Os e-portfólios podem ter objectivos de validação de competências específicas, podem ter uma utilização própria em determinadas instituições ou podem reflectir a aprendizagem de uma pessoa ao longo da vida.

Num cenário de aprendizagem mais desmaterializada, à distância, que se desenvolve durante a vida de uma pessoa o registo desse percurso assume particular importância.

A plataforma Elgg (ver este post), permite a criação e manutenção de e-portfólios. Outras propostas são, por exemplo, a Mahara, uma plataforma de código aberto, lançada em 2006, a ePortfolio, uma plataforma que opera no conceito da computação em nuvem e a Foliotek, originária dos EUA e lançada no início da década.

Thursday, May 20, 2010

Teorias de Aprendizagem

As teorias de aprendizagem mais divulgadas e usadas em ambientes de aprendizagem são o behaviorismo, o cognitivismo e o construtivismo. O behaviorismo baseia-se nos aspectos objectivos e observáveis da aprendizagem. O cognitivismo vai para além dos comportamentos observáveis e aborda também os processos mentais, particularmente ao nível da memória. O construtivismo defende que o aprendente adquire conhecimento contruindo conceitos e ideias baseadas em experiências e conhecimentos anteriores. Estas teorias, apesar de ainda serem aplicadas em sistemas de e-learning, foram desenvolvidas antes da utilização das tecnologias de informação e comunicação nos processos de ensino. A componente social da aprendizagem também não é considerada. Assim, estas teorias não têm em conta as implicações da utilização de meios tecnológicos nem a natureza social da aprendizagem no paradigma do e-learning 2.0.

Para dar resposta às novas realidades introduzidas pelo e-learning e em especial, com o impacto das ferramentas da Web 2.0, têm sido usadas outras teorias de aprendizagem para suportar os novos ambientes de aprendizagem. Uma dessas teorias é o construtivismo social. Esta teoria baseia-se no trabalho de Lev Vygostsky, um psicólogo russo do início do século XX. Esta teoria, adaptada à realidade contemporânea, defende que a aprendizagem é uma actividade social. O conhecimento é adquirido a partir de diversas fontes existentes no ambiente do aprendente. Essas fontes são de natureza diversa podendo incluir informação em suporte digital, experiências individuais e interacções com um professor no papel tradicional de transmissor de conhecimento. A colocação do aluno no centro do processo de aprendizagem, com suporte na tecnologia (“shift from teaching with technology to learning with technology”) e a interacção entre pares, professores e especialistas nas várias áreas de conhecimento são aspectos essenciais do construtivismo social que vêm ao encontro das características já apontadas para os sistemas de e-learning 2.0.

O construtivismo social, no entanto, não é consideradao por alguns dos especialistas na área como a teoria mais completa no contexto do e-learning 2.0. Segundo George Siemens, autor do conectivismo, o construtivismo social, centrado no indivíduo, não considera o conhecimento que ocorre para além da pessoa, ou seja, aquilo que se aprende e que é armazenado e manipulado pela tecnologia. O conectivismo procura também descrever os processos de aquisição de conhecimento dentro das organizações. Esta teoria defende que o conhecimento é adquirido muitas vezes informalmente (fora dos sistemas formais de ensino e das suas instituições) e que é um processo contínuo que ocorre ao longo da vida, em que o trabalho e a aquisição de conhecimento se confundem. Esse conhecimento evolui de forma muito mais rápida do que no passado e parte dele tende a ficar obsoleto num curto espaço de tempo (em algumas áreas pode corresponder a meses ou a poucos anos).

O conectivismo é assim uma teoria que descreve como é que o conhecimento ocorre na era digital. A aquisição de conhecimento é o processo de criação de redes (interacções com outros, pessoas e organizações). O conhecimento individual consiste então numa rede que alimenta instituições e organizações. Estas, por sua vez, disseminam esse conhecimento pela rede. A rede assegura assim o fornecimento de conhecimentos ao indivíduo. Mais importante do que aquilo que um indivíduo sabe num dado momento é a sua capacidade para adquirir mais conhecimentos.

Em resumo, os pilares fundamentais do conectivismo, que o distinguem do construtivismo social são:
A adaptação das teorias de aprendizagem clássicas e a proposta de novas teorias é um tema de investigação actual para fazer face às implicações inerentes à adopção da tecnologia no ensino. São disso exemplo propostas como o construcionismo de Seymour Papert, que aposta na utilização de tecnologia defendendo que a aprendizagem é mais eficaz quando se constroem objectos tangíveis. Ferramentas como o Second Life, com a possibilidade de construir artefactos digitais, podem contribuir para este objectivo em situações em que a criação de objectos reais não seja viável. Outro exemplo é a proposta de Morten Paulsen, a teoria da aprendizagem cooperativa, que aborda também a questão da aprendizagem em rede.

Tuesday, May 18, 2010

A Plataforma Elgg

Na perspectiva de George Siemens sobre o futuro do e-learning, a plataforma Elgg é apresentada como a ferramenta mais importante para o desenvolvimento futuro desta forma de ensino. Segundo Siemens, a plataforma Elgg incorpora um conjunto significativo de ferramentas características da Web 2.0 (blogs, wikis, conteúdos multimédia, etc) mas é essencialmente um PLE. Sobre a sua utilização como PLE há a vantagem da plataforma simplificar este conceito e o tornar acessível a mais utilizadores. Ainda segundo a mesma perspectiva, a Elgg apresenta ainda a vantagem de ser uma plataforma de código aberto e independente de redes sociais generalistas (“not Facebook”). George Siemens baseia a sua opinião na experiência recolhida na utilização da Elgg em diferentes contextos.
Jane Hart, fundadora do C4LPT destaca a Elgg como uma plataforma colaborativa tendo também desenvolvido um estudo comparativo desta plataforma com outras ferramentas sociais (Ning, Facebook e Twitter).


O interesse e importância desta plataforma pode ser comprovado através do reconhecimento obtido pelos projectos que a usam. Destacam-se, por exemplo, o prémio da InfoWorld “Best Open Source Social Networking Platform” (2008) e o prémio “Platinum Award for Best use of Social Learning Tools”, em 2010, atribuído ao Institute of Executive Coaching, uma entidade de formação para executivos que opera na Austrália e na região Ásia-Pacífico e que usa a plataforma Elgg. Existem outros exemplos de comunidades sociais que usam a plataforma, com destaque para a Eduspaces, lançado em 2004 e que é um dos sites sociais mais relevantes no campo da utilização de tecnologia na educação e para a Universidade de Brigthon, ambas com um significativo número de utilizadores. Apesar do reconhecimento das suas potencialidades, a plataforma aparece classificada apenas na posição 53 da lista do C4LPT. O grupo do Facebook, “Elgg Users” tem, à data deste trabalho, menos de 200 membros.

Do ponto de vista técnico, a instalação da plataforma (a versão actual é a 1.7.1 e pode ser descarregada do website oficial da Elgg) necessita do servidor web Apache, da base de dados MySQL e da linguagem de scripting PHP (ferramentas gratuitas). Está ainda anunciado para Maio de 2010 o lançamento de um serviço de alojamento de sites sociais. A plataforma usa ainda o formato de dados FOAF.

Numa experiência de utilização da plataforma Elgg como um PLE e como um e-portefolio, são apontadas as possibilidade dos alunos poderem publicar os seus perfis em conjunto com peças musicais e outros documento produzidos no âmbito do seu percurso de aprendizagem, assim como trabalhos usados na sua avaliação curricular. Esta é a perspectiva de utilização como e-portefolio. No que diz respeito à utilização como PLE, o trabalho citado refere a formação de comunidades de músicos, como forma de acompanhar o trabalho de outros e publicar os trabalhos feitos e o uso de blogs para troca de experiências. É dado destaque ao facto da plataforma ser centrada no aluno e deste ter total controlo sobre os conteúdos. A plataforma pode assim ser o centro de um ambiente com suporte na Web, de aprendizagem formal e informal corporizando assim um PLE para cada aluno. Segundo Mark van Harmelen um PLE deve apresentar, do ponto de vista dos alunos utilizadores, as características seguintes:
  • Permitir a definição de objectivos de aprendizagem;
  • Gerir a aprendizagem, controlando tanto o conteúdo como o processo de aprendizagem;
  • Comunicar com outros utilizadores durante o processo de aprendizagem.
A plataforma Elgg enquadra-se nas características acima. Entre outras potencialidades é também destacado o facto dos PLE, em particular a Elgg, contribuírem para a diminuição do abandono escolar dos alunos ao facilitarem a entreajuda entre pares.

Sunday, May 16, 2010

PLE versus LMS

A utilização das ferramentas sociais da Web 2.0, agregadas num PLE, representam uma abordagem diferente na organização do e-learning que contrasta na abordagem suportada por um LMS. As referências aos PLE surgem muitas vezes associadas a discussões quanto ao papel que os LMS têm nestes ambientes e qual o contributo, se algum, que podem ter nos sistemas de e-learning 2.0. Desde a erradicação dos LMS (e mesmo dos PLE) dos sistemas de e-learning 2.0 até à constatação que a continuidade da utilização de LMS é, para já, incontornável, passando por posições que defendem a utilização destes, meramente para fins administrativos, em coexistência com os PLE, existem várias visões sobre o papel dos LMS no e-learning 2.0. Estas diferentes abordagens mantêm em aberto a discussão sobre quais as ferramentas a adoptar e qual a forma de as integrar e usar nos sistemas de e-learning 2.0. A seguir resumem-se as características principais das plataformas LMS e PLE.

O facto de um PLE usar diferentes aplicações, configuradas individualmente de forma a satisfazer as necessidades e gostos do utilizador coloca questões de interoperabilidade entre essas aplicações. No espírito da Web 2.0, procura-se ultrapassar esta questão seguindo o princípio que o software social é baseado num conjunto de pequenas peças pouco interligadas (“small pieces, loosely connected”) que recorrem a standards e serviços web. Neste sentido têm surgido propostas de ferramentas que procuram facilitar a utilização e a agregação dos diferentes serviços e aplicações que podem integrar um PLE. Um dos projectos mais citados é o Elgg. Trata-se de uma plataforma de software, de código aberto, desenvolvido por Dave Tosh e Ben Werdmuller para a construção de redes sociais. A plataforma permite integrar diversas ferramentas com grande controlo por parte do utilizador. Segundo os seus autores, esta plataforma permite a criação de uma paisagem digital pessoal ("personal learning landscape"):

A plataforma Elgg, em desenvolvimento desde 2004, conheceu a sua versão 1.0 em 2008. A par da plataforma Elgg são citadas outras como a Barnraiser, a PLEFPersonal Learning Environment Framework, proposta por Mohamed Chatti, a PLEX, da Universidade de Bolton no Reino Unido ou a SAPO Campus, uma plataforma dirigida a instituições de ensino superior usada na Universidade de Aveiro, Portugal.

Thursday, May 13, 2010

Personal Learning Environments

O impacto social e cultural da Web 2.0 e os seus efeitos no ensino e aprendizagem, onde surge o conceito de E-learning 2.0, convergem na noção dos ambientes pessoais de aprendizagem (PLE – Personal Learning Environments). Os princípios de colocar maior poder e autonomia no utilizador/alunos, a partilha de conteúdos, o seu desenvolvimento colaborativo, a aprendizagem informal e ao longo da vida, para citar apenas alguns dos que caracterizam a Web 2.0 e, em particular, o e-learning 2.0, colocaram o foco do processo de aprendizagem no aluno/utilizador. Os ambientes virtuais de aprendizagem, de origem institucional e ainda suportados pelo paradigma tradicional de ensino (um professor que transmite conhecimentos para vários alunos) não conseguem já dar resposta à nova realidade surgida com a Web 2.0. Um dos aspectos-chave desta nova realidade é o facto da informação já não ser um recurso escasso. A atenção (ver este post) passa a ser o recurso que é necessário gerir.

Assim, a visão tradicional do e-learning, de carácter institucional, suportado por um ambiente virtual de aprendizagem (VLE – Virtual Learning Environment), onde o LMS é a ferramenta central, evolui para uma visão suportada pelos ambientes pessoais de aprendizagem (PLE), onde as ferramentas são as da Web 2.0. É possível encontrar diversas definições do conceito de PLE e inclusivamente também um grande número de diagramas que o procuram ilustrar. Tal como o carácter pessoal que está inerente ao próprio conceito, também muitos destes diagramas revelam a realidade pessoal dos seus autores. Um desses diagramas é, por exemplo, o seguinte:


De uma forma geral, apesar de diferentes definições e visões do que é um PLE, existe concordância quanto ao facto de estes usarem diversas ferramentas tecnológicas, num processo largamente controlado pelo utilizador/aluno, onde estão presentes os conceitos de comunidade e de partilha de conhecimentos. Não sendo uma aplicação, o PLE deve oferecer uma interface única com o ambiente digital de um utilizador.

Os PLE são, de certa forma, o processo de gerir e organizar a atenção de um utilizador, seleccionando as ferramentas, as fontes de informação que cada um usa ou as comunidades virtuais em que participa, de acordo com as suas necessidades, interesses e gostos. Um PLE evolui conforme também evoluem as necessidades e interesses do utilizador. O PLE acompanha também o desenvolvimento tecnológico, adoptando as novas ferramentas e eliminando as que se vão tornando obsoletas. Pode-se então entender os PLE como a forma de cada um lidar com a escassez de atenção num ambiente em que a informação está presente em grande quantidade e acessível em qualquer lugar e em qualquer altura. Numa abordagem extrema e simplista, um sistema de e-learning poderia ser simplesmente colocar os alunos a utilizar um motor de busca na Internet. O acesso a uma grande quantidade de informação traria a dificuldade em filtrar a informação relevante.

Um PLE surge então como a forma de lidar com grandes quantidades de informação focando a atenção no essencial e eliminando o acessório. Esta necessidade está bem expressa numa afirmação recente de Tim Berners-Lee:“Too many people forget that just because you can read anything it doesn’t mean you have to read everything”.

Referências:

Attwell, G. (2007). The Personal Learning Environments - The Future of eLearning?, eLearning Papers, vol. 2 no. 1. ISSN 1887-1542

Mota, J. (2009). Personal Learning Environments: Contributos para uma Discussão do Conceito, Educação, Formação e Tecnologias, Vol. 2, nº 2.

Dalsgaard, C. (2006). Social Software: E-learning Beyond Learning Management Systems. European Journal of Open and Distance Learning (EURODL).

Anderson, T. (2006). PLEs versus LMS: Are PLEs ready for Prime time?.

Tuesday, May 11, 2010

A Economia da Atenção

A informação existente na Web tem vindo a crescer desde a sua génese. Com a massificação das aplicações Web 2.0, onde existe a possibilidade de participação dos utilizadores a informação disponível tornou-se ainda mais diversificada. A informação deixou assim de ser um recurso escasso. Os utilizadores deparam-se com a dificuldade em gerir toda essa massa de informação e distinguir o que é relevante e actual. Um utilizador que siga diversos blogs ou que participe em várias redes sociais sente dificuldade em acompanhar todas estas fontes de informação e manter a interacção com os outros utilizadores. Todas as aplicações web que usa e sites que visita competem entre si pela sua atenção. Esta passa a ser o recurso escasso que é necessário gerir. Thomas H. Davenport e Michael Goldhaber apresentaram o conceito da economia da atenção. O fluxo de atenção passa a ser a “moeda” que circula na Internet. A adaptação das aplicações e a sua personalização surgem neste contexto como forma de atrair a atenção dos utilizadores e a sua fidelização a um determinado serviço ou aplicação. Outro exemplo de forma de lidar com a escassez de atenção é o sistema de recomendação de produtos da Amazon efectuado com base no histórico de navegação e de compras efectuadas.

A propósito deste tema vale pena ler o que pensa o Presidente dos EUA, Barack Obama, sobre o efeito da massificação do uso de tecnologias e da crescente disponibilidade de informação, numa intervenção na Hampton University, Virginia (a notícia pode ser lida aqui):

"You're coming of age in a 24/7 media environment that bombards us with all kinds of content and exposes us to all kinds of arguments, some of which don't always rank all that high on the truth meter (...) With iPods and iPads and Xboxes and PlayStations, - none of which I know how to work - information becomes a distraction, a diversion, a form of entertainment, rather than a tool of empowerment, rather than the means of emancipation."

A massa de informação que constantemente nos "bombardeia" é um benefício inquestionável mas que, por outro lado, pode ser contraproducente. Estas questões têm ser tidas em conta no desenho cursos em e-learning, sobretudo quando os públicos têm, à partida, um natural défice de atenção.

Em conclusão: "We can't stop these changes... but we can adapt to them".

Saturday, May 08, 2010

E-learning 2.0: Ferramentas mais Usadas

A avaliar pelo número de referências em artigos científicos, notícias publicadas nos média e artigos em blogs, as ferramentas mais usadas em contextos de aprendizagem são, das citadas já neste trabalho, os blogs, o Twitter, o YouTube, o Flickr ou a Wikipedia. Têm sido efectuados estudos mais aprofundados sobre a utilização destas ferramentas no ensino como, por exemplo, o trabalho levado a cabo por Jane Hart, fundadora do Centre for Learning & Performance Technologies (C4LPT). Este trabalho apresenta uma lista anual das 100 ferramentas mais usadas no ensino contando para isso com a colaboração de 278 profissionais do ensino e das tecnologias de informação e comunicação. A maior parte das ferramentas listadas são ferramentas Web 2.0. Na lista de 2009, o Twitter aparece como a ferramenta mais usada. O Moodle é o primeiro LMS desta lista, na 14ª posição. A classificada por categorias, está resumida a seguir, apresentando-se as três ferramentas mais usadas em cada categoria:
Os mundos virtuais não aparecem em posições de destaque nesta lista, com o Second Life a ocupar apenas a posição 71.

A lista do C4LPT pode não ser totalmente representativa da realidade actual da utilização de ferramentas da Web 2.0. No entanto, fornece indicadores a ter conta no estudo das tendências que se verificam na utilização das ferramentas Web 2.0.

Outros estudos, como o relatório The Future of Higher Education: How Technology Will Shape Learning, apresentam também dados sobre a utilização de ferramentas da Web 2.0, neste caso aplicadas no ensino superior. O relatório aponta também tendências futuras na utilização de sistemas de e-learning. O estudo descrito neste relatório foi levado a cabo entre Julho e Agosto de 2008 e consistiu em inquéritos dirigidos a profissionais ligados a empresas e a instituições de ensino superior, a nível mundial. Os inquéritos revelaram que 71% dos inquiridos pertenciam a instituições que disponibilizavam cursos em e-learning. As redes sociais (56%), os videocasts (53%), os blogs (44%) e os wikis (41%) foram apontadas como ferramentas usadas por estas instituições. Relativamente às três últimas, os inquiridos que ainda não as usavam revelaram (cerca de 30%) a intenção de as adoptar num horizonte de cinco anos.

Ainda outro estudo sobre o que se passa no ensino superior em Portugal, revela também o interesse e o potencial de utilização de ferramentas da Web 2.0. A partilha de vídeos e imagens, o uso de blogs e as ferramentas de edição colaborativas aparecem como as ferramentas Web 2.0 mais usadas. As plataformas de e-learning (LMS) são, a nível geral, as ferramentas de e-learning mais usadas. Destaca-se neste estudo que as ferramentas da Web 2.0, apesar de ainda terem aplicação restrita, são conhecidas pela generalidade dos inquiridos e usadas a nível pessoal.