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Wednesday, February 27, 2013

TED Talk with Mitch Resnick: Let's teach kids to code

Mitch Resnick é o responsável pelo grupo de investigação que desenvolve o Scratch, um ambiente gráfico para ensinar programação a crianças. Nesta TED Talk, defende a importância de ensinar programação a crianças, não porque programar venha a ser uma necessidade para as suas profissões futuras (nem todas se tornarão programadores ou profissionais na área das TIC) mas porque programar permite desenvolver a sua criatividade e capacidade de resolver problemas.


Resnick neste vídeo refere ainda ser crítico do rótulo de "nativos digitais" atribuído às gerações mais novas. As crianças e jovens são fluentes a "ler" tecnologias" mas menos capazes de "escrever" tecnologias. A este propósito, ler o que já se escreveu aqui.

O vídeo refere ainda outras plataformas já mencionadas aqui como o Codeacademy.

Um bom vídeo que reflecte sobre como a aquisição de competências digitais importa para a aquisição de outras competências, para o desenvolvimento da criatividade e para a capacidade de resolver problemas.
 

Wednesday, January 23, 2013

From Digital Natives to Digital Wisdom

Marc Prensky publicou um novo livro - Brain Gain - onde abandona o conceito dos digital natives. Com este conceito, Prensky defendia que as gerações mais novas eram constituídas por nativos digitais enquanto que as gerações anteriores eram constituídas por imigrantes digitais


Prensky defende agora uma evolução do conceito para uma nova metáfora: digital wisdom. Eis a sua justificação para o novo livro e para a nova metáfora:


I believe it is important to keep searching for useful metaphors to help our understanding of our evolving man-machine world. Digital natives and digital immigrants was one such metaphor which helped many people understand what was happening over the last decade. But as technology continues to evolve, new metaphors are needed to understand what we are all going through. So I now offer the metaphor of digital wisdom.

Vale a pena ler a crítica ao livro feita por Pedro De Bruyckere aqui. Ver também em Please refrain from the use of digital native (again) e You want to use the concept of the digital native? Just don’t (research) outros comentários deste autor que é crítico da ideia de existência de nativos digitais e do que normalmente se associa como sendo o comportamento dessa geração.

A ideia base de Prensky, a propósito da digital wisdom, é que a tecnologia pode levar-nos a um novo estádio de desenvolvimento humano alterando a forma como nos relacionamos com o mundo e com o conhecimento.

Outra perspectiva sobre a forma como a sociedade atual lida com a tecnologia é visão que defende a existência de residentes e de visitantes digitais (ver este post). Ainda sobre os nativos digitais (ou Geração Net) ver também Geração Net, Web 2.0 e Ensino Superior.

O que é inegável é que as tecnologias influenciam as gerações mais novas e essa influência tem aspectos positivos que devem ser usados por é responsável por a educar mas existe sempre o outro lado da questão: ver esta notícia do jornal Público de 20 de janeiro.

Monday, September 24, 2012

Vídeo (4m53s) com uma entrevista a Sally Reynolds na 2012 EDEN Annual Conference (Porto):


Question #1: "What is your advice for university professors, decision-makers how to deal with the new generation of learners?"

"You should not make assumptions", afirma Sally Reynolds a propósito das diferenças entre a Geração X e a Geração Y (ver este post). A propósito da existência de nativos digitais, Sally Reynolds recorda que a investigação recente indica que não se deve generalizar. A maior parte dos utilizadores das redes sociais situa-se na casa do 30 e 40 anos. A abordagem ao ensino deve ter em conta as circunstâncias específicas de cada um e não ser baseada em generalizações a partir da geração a que o indivíduo pertence.

Question #2: "Where do you see the role of private and public institutions in learning settings in the future?"

As instituições públicas e privadas são complementares e não deve existir qualquer divisão entre as actividades de umas e de outras.

Question #3: "What are you looking forward to the most and what do you find the most interesting feature of this conference up to now?"

Sally Reynolds apresentou na conferência a rede MEDEA: "how do you build a network of execellence in european context?" Sobre os conteúdos da conferência Sally Reynolds destaca a discussão Geração X vs Geração Y. Sobre a conferência em geral, destaca a qualidade das apresentações, a possibilidade de interagir com os outros participantes e a beleza do local.

Saturday, April 07, 2012

Digital Learners/Natives/Residents

Mark Bullen, da British Columbia Institute of Technology, no Canadá, é um crítico da abordagem dos problemas geracionais da educação com base na dicotomia nativos digitais / imigrantes digitais. Esta dicotomia, proposta inicialmente por Mark Prensky (Prensky, 2001), sugere a existência de uma geração de nativos digitais, ou seja, uma geração cuja língua nativa é a linguagem digital. Por oposição, as gerações anteriores são constituídas por imigrantes digitais. Estas gerações utilizam as tecnologias digitais, aprenderam uma nova língua, mas esta não é a sua língua nativa (ver este post no blogue do escolinhas). Por estes motivos, a forma de educar os nativos digitais deve ser, na opinião de Prensky, radicalmente diferente da dos seus antecessores. Mark Prensky defende ainda a importância dos jogos eletrónicos e o seu efeito na sociedade (ver este post no escolinhas). Assim existirá também uma geração de Gamers, mais alargada e que inclui a geração dos nativos digitais.



Bullen (2011), por outro lado, defende que o problema não é geracional mas sim de postura de cada indivíduo face às tecnologias (ver também este post, publicado aqui há cerca de um ano atrás). As implicações das tecnologias digitais na educação deve ser analisada de forma mais criteriosa e suportada por evidências empíricas. Mark Bullen reconhece que os uso das tecnologias de informação e comunicação (TIC) tem vindo a aumentar e que a sua popularidade é grande entre as gerações mais novas. No entanto, as gerações mais velhas tendem a usar as TIC em cada vez maior escala. 

Mark Bullen procura fundamentar as suas posições em evidências empíricas tendo conduzido um estudo envolvendo estudantes do ensino superior em seis países. Bullen propõe uma abordagem baseada no conceito de aprendizes digitais (digital learners) que se baseia na postura de cada indivíduo com base nas suas competências digitais, meios de acesso às TIC e conforto na sua utilização. O uso das TIC é assim uma questão social e não uma questão geracional e o seu impacto na educação necessita de um estudo mais aprofundado. Os estudantes alvo do estudo distinguem também as tecnologias que usam para aprender e as que usam para fins lúdicos e de interação social.

Uma posição semelhante é a David White que coloca o questão do uso da TIC na perspetiva dos residentes digitais e nos visitantes digitais (ver este post). Nesta outra abordagem, o problema é visto como a forma como cada indivíduo se relaciona com as TIC, independentemente da geração ou das competências digitais adquiridas. O grau de envolvimento que cada indivíduo decide ter perante as TIC é que é determinante. Isto significa que um utilizador etariamente pertencente à geração dos nativos digitais e com um nível de competências digitais elevado, pode optar por manter uma relação mais distante com as TIC, vendo-as como ferramentas que usa quando necessário mas evitando manter uma presença constante on-line. Este utilizador é um visitante digital por oposição aos residentes digitais que mantêm uma presença on-line constante, nomeadamente nas redes sociais e em outras aplicações características da Web 2.0.

Seja qual for a abordagem preferida, a realidade é que existe uma presença cada vez maior das TIC nas sociedades atuais. Que isso afeta a forma como as pessoas se relacionam, trabalham e aprendem é um facto. Também é um facto que o grau de envolvimento com as tecnologias não é uniforme. Esse envolvimento tem razões de origem geracional, social e de postura individual. Ou seja, as três perspetivas apresentadas acima estarão todas certas. É verdade que os indivíduos nascidos a partir de década de 1980 estiveram desde cedo expostos a estas novas tecnologias sendo por isso natural um maior envolvimento. Isso não significa que os que nasceram antes não consigam atingir níveis de envolvimento semelhantes. Os aspetos sociais e culturais têm obviamente influência fazendo com que indivíduos que partilhem determinados contextos sociais, independentemente da idade, apresentem posturas semelhantes perante as TIC. Finalmente, cada indivíduo é único e independentemente do contexto, cada um pode ter sua própria postura em função de interesses e personalidade próprios.

Finalmente, no que diz respeito ao ensino, a conclusão é que as TIC devem fazer parte do processo uma vez que as gerações mais novas convivem facilmente com elas. As diferenças sociais que possam existir são diluídas pelo papel que a escola tem em ministrar um ensino uniforme que possibilite igualdade de oportunidades para todos. Independentemente do relacionamento posterior de cada um, o importante é possuir as competências digitais necessárias para singrar, quer social quer profissionalmente, num mundo que tem de acompanhar uma rápida evolução tecnológica.


Referências

Prensky, M. (2001). Digital Natives, Digital Immigrants. On the Horizon, 9, 5, 1–6.
Bullen, M. y Morgan, T. (2011). Digital Learners Not Digital Natives, La Cuestión Universitaria, 7. 2011, pp. 60-68