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Tuesday, April 06, 2010

Da Web 1.0 à Web 2.0

Talvez a melhor forma de definir o conceito que se popularizou sob a designação de “Web 2.0” seja a afirmação de Dion Hinchcliffe: “Web 2.0 is made of people” (A Web 2.0 é feita de pessoas). A designação popularizou-se a partir de 2004 sendo atribuída a Dale Dougherty, vice-presidente da O´Reilly Media, uma editora de livros técnicos na área da computação. O termo foi mais tarde definido por Tim O’Reilly, o fundador da O´Reilly Media, que apresentou a Web 2.0 como sendo uma visão da World Wide Web como uma plataforma. Curiosamente, existem referências anteriores a uma Web 2.0, alegadamente feitas em 1999 por Darcy DiNucci que antevia uma Web mais interactiva e mais presente no nosso quotidiano. A aplicação do termo não é, no entanto, consensual, contando mesmo com a oposição do próprio criador da World Wide Web, Tim Berners-Lee.

Existem várias definições sobre o que é a Web 2.0 como a que é proposta por Tim O´Reilly: A Web 2.0 é a rede como plataforma, abarcando todos os dispositivos conectados As aplicações Web 2.0 são aquelas que aproveitam ao máximo as vantagens intrínsecas dessa plataforma:
  • Fornecimento de software como serviço continuamente actualizado e que melhora quanto maior for o número de pessoas que o usam;
  • Consumo e remistura de dados de várias fontes, incluindo os de utilizadores individuais que, ao fornecer os seus próprios dados e serviços, permitem a reutilização por outros;
  • Criação de efeitos de rede através de uma "arquitectura de participação".
Existem outras definições idênticas como a proposta por Michael Platt ou a que é fornecida pela Wikipedia (que é também um dos bons exemplos da Web 2.0), contando também com uma versão na Simple English Wikipedia: Web 2.0 é a designação da nova forma de usar a Internet:
  • Web 2.0 é simples: qualquer pessoa pode facilmente publicar conteúdos;
  • Web 2.0 é social: é fácil as pessoas ligarem-se com outras pessoas:
  • Web 2.0 é aberta: sites web e aplicações podem facilmente trocar informação com outras fontes.
Mais do que representar inovações tecnológicas, as definições acima revelam que o termo marca uma nova forma de utilização da Web. Enquanto que na Web 1.0, o utilizador era sobretudo um consumidor de informação, sendo poucos os que a produziam, na Web 2.0 os utilizadores são simultaneamente produtores e consumidores de informação. Essa informação assume os formatos de texto, áudio e vídeo. A classificação desses conteúdos (tagging), a sua partilha e troca de comentários trouxe a dimensão social à Web gerando comunidades de utilizadores. Estas comunidades originaram as conhecidas redes sociais como o Facebook, o MySpace ou o LinkedIn. Estas redes podem ter um carácter meramente lúdico ou servir propósitos de natureza profissional.

As aplicações da Web 2.0 caracterizam-se pela sua permanente actualização e evolução dizendo-se que se encontram num estado designado por “beta perpétuo” (permanent beta).
Outra inovação introduzida pela Web 2.0 foram as “mashups”. Este termo designa um tipo de aplicações que usam conteúdos de mais do que uma fonte, criando um novo serviço. Qualquer utilizador, teoricamente, pode aplicar este conceito, combinando dados de diferentes origens e gerando um novo serviço designado por mashup, um termo com origem no universo da música indicando a combinação de duas peças musicais distintas, muitas vezes de épocas e géneros também distintos, dando origem a uma nova peça musical. As aplicações “mashup” mais populares combinam informação georeferenciada, num mapa web, com informação de outras fontes (por exemplo, associar uma morada ou uma referência a um local com uma localização num mapa). A característica de qualquer utilizador poder criar este tipo de aplicações e a possibilidade de juntar informação de diferentes fontes ilustra os conceitos de simplicidade e abertura da Web 2.0 expressa na definição da Simple English Wikipedia apresentada acima. Uma lista regularmente actualizada de mashups pode ser encontrada no endereço http://www.programmableweb.com/mashups.

A Figura abaixo apresenta algumas das aplicações e serviços da Web 2.0 mais característicos da Web 1.0 e da Web 2.0 e revela a evolução de um paradigma para outro.

Wednesday, March 17, 2010

Da Origem da Internet à Web 1.0

Internet pode ser definida como um sistema à escala mundial que interliga redes e computadores ou, numa perspectiva mais técnica, uma rede que interliga diferentes redes e computadores que comunicam usando os protocolos TCP/IP. Nos meios relacionados com a Internet, a sua origem é atribuída a um projecto de natureza militar desenvolvido com o objectivo de criar uma rede de comunicação com capacidade de resistir a um ataque nuclear. Esta teoria é contrariada por algumas fontes, mas é consensual a existência de uma rede designadada por ARPANET (Advanced Research Projects Agency Network) criada por um um organismo ligado ao departamento de defesa norte-americano em 1969. Esta primeira rede interligava originalmente quatro nós. A rede cresceu integrando nós em diversas universidades norte-americanas e institutos de investigação.

O símbolo @, associado ao serviço de correio electrónico, passou a ser usado a partir de 1972. Os protocolos TCP/IP (Transfer Control Protocol / Internet Protocol) surgem em 1974. Por volta desta altura a rede passa a ser designada por Internet Nos anos seguintes são desenvolvidos diversos outros protocolos como o DNS (Domain Name System) de 1984.

Nos anos 80 do século XX surgem os primeiros computadores pessoais e, mais tarde, os modems. A comunicação em rede era restrita, a informação circulava em formato de texto ou em formato binário e os utilizadores existiam sobretudo no meio académico dos EUA. O correio electrónico começa a ganhar popularidade entre estes utilizadores. No final da década de 80,o número de países com ligação à Internet aumenta podendo-se começar a falar numa rede à escala mundial.

A grande explosão da Internet, a diversos níveis, ocorre em 1990 quando um investigador do CERN (Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire, actualmente Organisation Européenne pour la Recherche Nucléaire ), Tim Berners-Lee cria o protocolo HTTP (Hypertext Transfer Protocol). O CERN lança a World Wide Web também conhecida com o acrónimo WWW, W3 ou, simplesmente, Web.

A WWW é na verdade um novo serviço sobre a infraestrutura já existente da Internet. Com este novo serviço, surgem os primeiros navegadores da Internet (browsers), como o Mosaic que mais tarde daria origem ao Netscape Navigator. Ao longo do resto década regista-se um crescimento exponencial de utilização da Internet que deixa de estar restrita ao mundo académico para passar a estar presente também no mundo empresarial e também com a possibilidade de acesso doméstico. São lançados novos navegadores e surgem os motores de busca. As empresas e organizações começam a ter presença na web, seja porque sentem essa necessidade e estão conscientes das oportunidades seja por simples adesão a um fenómeno de moda. São criadas empresas cujo negócio assenta na totalidade na Internet. A expressão “Nova Economia” é usada para designar estas novas empresas e a forma como a Internet iria alterar o modo de fazer negócios, em que nada seria como dantes.

A euforia da Nova Economia leva a que grandes investidores apostem nas novas empresas da Internet na convicção que o seu grande potencial de valorização se viria a concretizar. Uma empresa cujo nome tivesse o prefixo “e” ou o sufixo “.com” é de imediato associada a grandes rendibilidades futuras. Mesmo empresas já existentes começam a colocar “.com” no final do seu nome ou a criar subsidiárias com nomes que o incluam. O índice das empresas tecnológicas da bolsa de Nova Iorque (NASDAQ) ganha destaque e as operações de bolsa com as empresas tecnológicas atingem valores elevados. Este periodo ficou conhecido por “dot com bubble” (a bolha das .com, entre 1995 e 2001) devido à forma gráfica da evolução do índice NASDAQ. Este índice atinge o seu máximo em 10 de Março de 2000 (5.048,62 pontos) entrando de seguida numa queda abrupta. Existem várias explicações para esta correcção que provocou o fim deste período de euforia. As novas empresas tecnológicas implicaram nalguns casos investimentos elevados, sem lucros nos primeiros anos e apenas com uma promessa de ganhos futuros. Muitas empresas fizeram também correcções face às despesas que o então temido problema do ano 2000 implicou (Y2K). De uma forma geral, havia a consciência por parte dos investidores que as novas empresas tecnológicas estavam sobrevalorizadas. Os atentados terroristas em Nova York em 11 de Setembro de 2001, com a consequente instabilidade gerada na ordem mundial, puseram um fim definitivo no entusiasmo que a Nova Economia tinha gerado.

O período de incerteza que se vivia em finais de 2001 não impediu a Apple de lançar, em Outubro desse ano, um produto de sucesso: o iPod, um leitor portátil de audio e video.

Os primeiros anos deste século, após a correcção que o fim da bolha das .com implicou, revelaram sobretudo preocupações com a segurança na Internet. Ocorreram diversos ataques de vírus informáticos e a cada vez maior dependência da Internet para empresas, organizações e para os próprios estados colocaram o foco na segurança informática. As empresas sobreviventes da Nova Economia, como a Amazon ou o eBay, atingiam cada vez maior notoriedade apesar de muitas não apresentarem lucros. Novas empresas com negócios assentes da Internet continuavam a surgir, embora de forma mais discreta.


Nestes anos dicutiam-se fenómenos como a distribuição gratuita de música em redes P2P (peer-to-peer) e as questões legais que isso implicava. A tecnologia de redes continuou a evoluir rapidamente generalizando-se os acessos de banda larga e as redes sem fios. O acesso à Internet passa a ser também possível a partir de telemóveis e de PDAs. Começam a aumentar as vendas de computadores portáteis. A meio da primeira década deste século e apesar das contrariedades dos dois primeiros anos, a Internet era uma realidade presente em quase todo o mundo. Esta realidade, ubíqua e generalizada, estava presente na forma como as pessoas se relacionavam, faziam negócios, estudavam e contactavam com os seus governos.

Estas mudanças fechavam um capítulo da história da Internet, o da Web 1.0 e iniciavam o capítulo da Web 2.0.