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Thursday, July 28, 2011

Artigo: Oportunidades para o E-learning no Contexto da Web 2.0

Oportunidades para o E-learning no Contexto da Web 2.0

Este artigo - Oportunidades para o E-learning no Contexto da Web 2.0 - foi publicado no nº 17 da revista Politécnica (Dezembro de 2010) editada pelo Instituto Superior Politécnico Gaya. O nº 17 ainda não está on-line mas fica aqui o link para o artigo completo (no Scribd) e o resumo:

Este artigo aborda o posicionamento dos sistemas de e-learning face ao recente desenvolvimento das redes sociais e da Web 2.0. É apresentada uma perspectiva histórica do e-learning, desde os primeiros cursos à distância até ao ensino apoiado nas tecnologias de informação e comunicação.
As tendências impostas pela Web 2.0 e pelo uso de tecnologias na sociedade em geral são analisadas tendo em vista a sua aplicação ao ensino. São apresentadas as implicações do uso dessas ferramentas e a forma como estão já a ser aplicadas no que é designado por e-learning 2.0. É discutido o significado actual do conceito de e-learning e as oportunidades das sua aplicação à realidade actual do ensino.

Partes deste artigo, que foi escrito há cerca de um ano, foram também já publicadas neste blogue.

Wednesday, August 25, 2010

Ensino Superior: Oportunidades para o E-learning 2.0

Genericamente, o e-learning tem aplicação e está já presente no chamado ensino oficial, nos seus vários níveis, desde o básico ao superior, e na formação profissional. No caso do ensino superior, onde é usado há mais tempo, as novas realidades deste nível de ensino fomentam ainda mais a utilização de estratégias de e-learning e, em particular, de e-learning 2.0. O e-learning 2.0 é um termo que designa uma nova geração de e-learning que acompanhou a mudança de paradigma da Web (da Web 1.0 para a Web 2.0).

O Processo de Bolonha colocou maior responsabilidade no aluno que tem de desenvolver estratégias de aprendizagem mais autónomas. O incremento dos alunos trabalhadores-estudantes, os estudantes que acedem pelo regime especial para maiores de 23 anos, o aumento da oferta de cursos em regime pós-laboral, entre outras mudanças, alteraram o perfil tradicional do estudante do ensino superior. Os sistemas de e-learning podem aqui desempenhar um papel de relevo, encontrando um público mais maduro e motivado mas também com mais restrições de horário e de mobilidade. Muitos destes estudantes exercem já actividades profissionais e convivem já com a formação profissional em e-learning.

Por outro lado, uma das desvantagens do e-learning não presencial, a ausência de interactividade social física, é também mitigada para este tipo de públicos. De facto, para um perfil de aluno com dificuldade em assegurar uma assiduidade regular e com dificuldades em conciliar a vida escolar com a vida profissional e familiar, a socialização no contexto académico é de difícil concretização. Pelas mesmas razões, o acompanhamento dos conteúdos leccionados e participação em propostas de trabalho pode ser igualmente limitada ou exigindo um grande esforço pessoal e métodos de trabalho muito disciplinados. O ensino apoiado por sistemas de e-learning permite, por outro lado, o contacto regular com os conteúdos curriculares, complementando o acesso presencial com o acesso à distância e/ou assíncrono. A socialização no contexto da comunidade escolar, assim como a realização de trabalhos de grupos e a participação em grupos de estudo pode igualmente ocorrer através do uso de diversas ferramentas sociais e de comunicação (que provavelmente muitos já usam para fins lúdicos ou profissionais). Eventualmente, essa socialização, apesar de poder ter uma menor expressão a nível presencial pode revelar-se como uma experiência mais profunda, que ocorre para além dos espaços físicos e dos horários da escola.

Os sistemas de e-learning podem ainda contribuir para a ligação dos ex-alunos às suas escolas através da frequência de pós-graduações ou outros cursos neste regime assegurando a sua formação ao longo da vida. As redes sociais são também uma forma de manter uma comunidade activa de antigos alunos.

Friday, June 11, 2010

E-learning 2.0: Ponto de Situação

É um facto assente que os educadores actuais reconhecem, em cada vez maior número, a importância das tecnologias nas actividades pedagógicas. Para além das potencialidades inerentes ao uso das ferramentas que a tecnologia proporciona está também presente a necessidade de adaptar as actividades pedagógicas às vivências da geração mais jovem, que ficou conhecida pela “net generation”. A convivência com a tecnologia não se restringe, no entanto, apenas aos indivíduos que nasceram quando o mundo desenvolvido já se encontrava imerso em tecnologia. A geração dos pais desses jovens, onde se incluem os seus educadores, e mesmo a geração anterior a essa, convive já regularmente com a tecnologia e com um mundo onde o acesso à informação é permanente.

O termo “e-learning”, apesar de muitas vezes conotado com o ensino à distância, não presencial, representa a utilização de diversas ferramentas tecnológicas no ensino, em particular, aquelas relacionadas com as tecnologias de informação e comunicação. Seja como auxiliar ao ensino tradicional presencial, seja em sistemas de ensino à distância, seja em sistemas mistos (blended), o e-learning é já indissociável do ensino.

As redes de comunicação, em particular a Internet, contribuem de forma significativa para as ferramentas ao dispor do ensino. A evolução da Internet, o surgimento da World Wide Web e, mais recentemente, o paradigma da Web 2.0, implicaram mudanças que tiveram particular impacto a nível social. Este efeito na sociedade afectou também os sistemas de ensino e os métodos pedagógicos. Na vertente tecnológica, o termo “e-learning 2.0” reflecte as mudanças introduzidas pela Web 2.0 no ensino assistido pelas tecnologias.

Um “mapa mental”, da autoria de George Siemens, procura fornecer uma visão de conjunto do e-learning:


Para lidar com a realidade introduzida pelo paradigma da Web 2.0, surgiram novas teorias de aprendizagem como o construtivismo social ou o conectivismo. O papel das ferramentas tradicionais de e-learning, os LMS, tem sido também analisado tendo em conta as ferramentas da Web 2.0. As mudanças sociais e tecnológicas tiveram também impacto na forma como ensino é visto. A aprendizagem já não é considerada apenas como um processo formal, controlado e limitado no tempo e espaço, mas algo que ocorre em diversas circunstâncias da vida das pessoas, que é fruto de fontes variadas e que tem de lidar com uma quantidade de informação que evolui rapidamente. A aprendizagem é omnipresente na vida do indivíduo e desenrola-se ao longo da sua vida (“anytime, anyplace, anywhere, for any reason”).

Dado que a informação deixou de ser um bem escasso, a dificuldade é agora saber gerir e filtrar a informação disponível. Mais importante do que o que se sabe é saber como chegar à informação e seleccionar a que é relevante com a consciência de que o prazo de validade dessa informação é cada vez mais curto. Na visão de George Simens, o saber como e o saber o quê estão a ser suplantados pelo saber onde (“know-how and know-what is being supplemented with know-where”).

O processo de aprendizagem, no contexto do e-learning 2.0, passa então a estar centrado no indivíduo, que possui maior controlo sobre esse processo. Os PLE e os e-portefolios são alguns dos lados visíveis deste novo processo. A aquisição de conhecimento resulta da interacção com comunidades, da aprendizagem entre pares e do contacto especialistas nas várias áreas de conhecimento. O processo tradicional em que o professor detinha e transmitia conhecimento, com os alunos a ser os receptores desse conhecimento, passa para um processo em que alunos e professores são produtores e consumidores de conhecimento. Esta forma de disseminar o conhecimento corresponde à visão da Web 2.0 como uma plataforma participativa e colaborativa de leitura e escrita (a read/write web). Tudo isto obriga a repensar o papel dos professores e o próprio conceito de sala de aula.

Apesar da mudança estar em curso, o seu impacto nos sistemas de ensino tradicionais ainda não é muito visível. Os investimentos feitos pelos estados e pelas instituições de ensino revelam-se mais a nível de equipamentos e infraestruturas do que nível dos currículos e processos de ensino. Existem várias experiências de aplicação das ferramentas do e-learning 2.0 mas muitas delas são ainda processos isolados e pontuais. Nem todos os educadores estão ainda conscientes das novas realidades. A iliteracia digital de muitos profissionais do ensino é uma barreira à adopção dos novos métodos pedagógicos que o e-learning 2.0 preconiza. Parte da sociedade actual vê ainda com alguma desconfiança as mudanças sociais que as tecnologias e a Web 2.0 têm introduzido. E algumas dessas preocupações poderão ser pertinentes. O prémio Nobel da literatura de 1998, José Saramago comentou, de forma crua, a utilização do Twitter (ver este post). A visão crítica de outros sectores da sociedade, sobre o uso e efeitos das tecnologias, deve ser encarada com objectividade e ponderação e ser usada como elemento moderador por todos aqueles que desenvolvem tecnologias e investigam a sua utilização nas várias áreas de actividade, onde o ensino é uma área particularmente sensível.

Saturday, May 29, 2010

As Diferentes Dimensões da Aprendizagem

A aprendizagem ocorre, desde sempre, em diferentes cenários. Tradicionalmente, assume-se que a aprendizagem é regulada por processos formais sob controlo institucional (uma escola ou uma instituição de formação profissional, por exemplo). A aprendizagem de um indivíduo vai, no entanto, muito para além do que ocorre nestes processos formais. Muitas vezes, as pessoas aprendem de forma inesperada sem que estivessem especificamente a procurar aprender algo. Também na execução de uma tarefa ou no exercício de uma actividade profissional, a aprendizagem e a aquisição e melhoramento de competências está permanentemente presente. Ela ocorre mesmo no convívio social, fora das instituições formais e do contexto profissional.
Enquanto que o ensino formal está normalmente limitado por espaços físicos, em horários estabelecidos, e ocorre em períodos determinados da vida, a aprendizagem efectua-se ao longo da vida e em todas as suas componentes:Esta visão da aprendizagem coincide com o que é preconizado pelo conectivismo de George Siemens.

Esta realidade assume particular relevância na sociedade actual, onde a informação é omnipresente e com diversas formas de acesso. As comunidades (de prática, de índole social ou outra) potenciadas pelas tecnologias de informação e comunicação (pdf) permitem a partilha de conhecimento e a aprendizagem entre pares à escala global e a uma velocidade que apenas há uma ou duas décadas atrás não era possível. Todas estas questões têm de ser tidas em conta pela sociedade em geral e pelos sistemas de ensino formais em particular, quer sejam geridos pelos estados, de iniciativa privada ou geridos pelo mundo empresarial com objectivos de formação profissional.

Uma das dimensões da figura acima tem a ver com o ensino formal e o ensino informal. O ensino formal é entendido como o sistema escolar estruturado e hierarquizado que cobre desde o ensino básico ao ensino superior e que inclui outras formas de ensino, de estrutura similar, mas com objectivos de formação profissional.

O ensino informal é um processo que ocorre ao longo da vida onde um indivíduo adquire conhecimento, atitudes, valores e competências na sua actividade diária e a partir de fontes diversas, desde a família e os vizinhos até ao contexto da sua actividade profissional, passando também pelas suas actividades lúdicas e de lazer. Na perspectiva de Jay Cross, as pessoas adquirem informalmente grande parte dos conhecimentos que usam na sua actividade profissional. Através da observação dos outros, por tentativa e erro e simplesmente trabalhando lado a lado com pessoas mais experientes. Na sua opinião, o ensino formal contribui apenas com cerca de 10% a 20% daquilo que uma pessoa aprende num contexto profissional.

A aquisição de conhecimento pode ainda ser intencional, quando o indivíduo procura explicitamente adquirir esse conhecimento, ou acidental, quando essa aquisição ocorre sem que o indivíduo o esperasse ou procurasse.

Os sistemas de e-learning 2.0 e as diversas ferramentas da Web 2.0 que suportam diversas redes de interacções entre pessoas consituem o ambiente tecnológico que potencia este processo permanente, diversificado e ubíquo de aprendizagem.

Thursday, May 20, 2010

Teorias de Aprendizagem

As teorias de aprendizagem mais divulgadas e usadas em ambientes de aprendizagem são o behaviorismo, o cognitivismo e o construtivismo. O behaviorismo baseia-se nos aspectos objectivos e observáveis da aprendizagem. O cognitivismo vai para além dos comportamentos observáveis e aborda também os processos mentais, particularmente ao nível da memória. O construtivismo defende que o aprendente adquire conhecimento contruindo conceitos e ideias baseadas em experiências e conhecimentos anteriores. Estas teorias, apesar de ainda serem aplicadas em sistemas de e-learning, foram desenvolvidas antes da utilização das tecnologias de informação e comunicação nos processos de ensino. A componente social da aprendizagem também não é considerada. Assim, estas teorias não têm em conta as implicações da utilização de meios tecnológicos nem a natureza social da aprendizagem no paradigma do e-learning 2.0.

Para dar resposta às novas realidades introduzidas pelo e-learning e em especial, com o impacto das ferramentas da Web 2.0, têm sido usadas outras teorias de aprendizagem para suportar os novos ambientes de aprendizagem. Uma dessas teorias é o construtivismo social. Esta teoria baseia-se no trabalho de Lev Vygostsky, um psicólogo russo do início do século XX. Esta teoria, adaptada à realidade contemporânea, defende que a aprendizagem é uma actividade social. O conhecimento é adquirido a partir de diversas fontes existentes no ambiente do aprendente. Essas fontes são de natureza diversa podendo incluir informação em suporte digital, experiências individuais e interacções com um professor no papel tradicional de transmissor de conhecimento. A colocação do aluno no centro do processo de aprendizagem, com suporte na tecnologia (“shift from teaching with technology to learning with technology”) e a interacção entre pares, professores e especialistas nas várias áreas de conhecimento são aspectos essenciais do construtivismo social que vêm ao encontro das características já apontadas para os sistemas de e-learning 2.0.

O construtivismo social, no entanto, não é consideradao por alguns dos especialistas na área como a teoria mais completa no contexto do e-learning 2.0. Segundo George Siemens, autor do conectivismo, o construtivismo social, centrado no indivíduo, não considera o conhecimento que ocorre para além da pessoa, ou seja, aquilo que se aprende e que é armazenado e manipulado pela tecnologia. O conectivismo procura também descrever os processos de aquisição de conhecimento dentro das organizações. Esta teoria defende que o conhecimento é adquirido muitas vezes informalmente (fora dos sistemas formais de ensino e das suas instituições) e que é um processo contínuo que ocorre ao longo da vida, em que o trabalho e a aquisição de conhecimento se confundem. Esse conhecimento evolui de forma muito mais rápida do que no passado e parte dele tende a ficar obsoleto num curto espaço de tempo (em algumas áreas pode corresponder a meses ou a poucos anos).

O conectivismo é assim uma teoria que descreve como é que o conhecimento ocorre na era digital. A aquisição de conhecimento é o processo de criação de redes (interacções com outros, pessoas e organizações). O conhecimento individual consiste então numa rede que alimenta instituições e organizações. Estas, por sua vez, disseminam esse conhecimento pela rede. A rede assegura assim o fornecimento de conhecimentos ao indivíduo. Mais importante do que aquilo que um indivíduo sabe num dado momento é a sua capacidade para adquirir mais conhecimentos.

Em resumo, os pilares fundamentais do conectivismo, que o distinguem do construtivismo social são:
A adaptação das teorias de aprendizagem clássicas e a proposta de novas teorias é um tema de investigação actual para fazer face às implicações inerentes à adopção da tecnologia no ensino. São disso exemplo propostas como o construcionismo de Seymour Papert, que aposta na utilização de tecnologia defendendo que a aprendizagem é mais eficaz quando se constroem objectos tangíveis. Ferramentas como o Second Life, com a possibilidade de construir artefactos digitais, podem contribuir para este objectivo em situações em que a criação de objectos reais não seja viável. Outro exemplo é a proposta de Morten Paulsen, a teoria da aprendizagem cooperativa, que aborda também a questão da aprendizagem em rede.

Sunday, May 16, 2010

PLE versus LMS

A utilização das ferramentas sociais da Web 2.0, agregadas num PLE, representam uma abordagem diferente na organização do e-learning que contrasta na abordagem suportada por um LMS. As referências aos PLE surgem muitas vezes associadas a discussões quanto ao papel que os LMS têm nestes ambientes e qual o contributo, se algum, que podem ter nos sistemas de e-learning 2.0. Desde a erradicação dos LMS (e mesmo dos PLE) dos sistemas de e-learning 2.0 até à constatação que a continuidade da utilização de LMS é, para já, incontornável, passando por posições que defendem a utilização destes, meramente para fins administrativos, em coexistência com os PLE, existem várias visões sobre o papel dos LMS no e-learning 2.0. Estas diferentes abordagens mantêm em aberto a discussão sobre quais as ferramentas a adoptar e qual a forma de as integrar e usar nos sistemas de e-learning 2.0. A seguir resumem-se as características principais das plataformas LMS e PLE.

O facto de um PLE usar diferentes aplicações, configuradas individualmente de forma a satisfazer as necessidades e gostos do utilizador coloca questões de interoperabilidade entre essas aplicações. No espírito da Web 2.0, procura-se ultrapassar esta questão seguindo o princípio que o software social é baseado num conjunto de pequenas peças pouco interligadas (“small pieces, loosely connected”) que recorrem a standards e serviços web. Neste sentido têm surgido propostas de ferramentas que procuram facilitar a utilização e a agregação dos diferentes serviços e aplicações que podem integrar um PLE. Um dos projectos mais citados é o Elgg. Trata-se de uma plataforma de software, de código aberto, desenvolvido por Dave Tosh e Ben Werdmuller para a construção de redes sociais. A plataforma permite integrar diversas ferramentas com grande controlo por parte do utilizador. Segundo os seus autores, esta plataforma permite a criação de uma paisagem digital pessoal ("personal learning landscape"):

A plataforma Elgg, em desenvolvimento desde 2004, conheceu a sua versão 1.0 em 2008. A par da plataforma Elgg são citadas outras como a Barnraiser, a PLEFPersonal Learning Environment Framework, proposta por Mohamed Chatti, a PLEX, da Universidade de Bolton no Reino Unido ou a SAPO Campus, uma plataforma dirigida a instituições de ensino superior usada na Universidade de Aveiro, Portugal.

Saturday, May 08, 2010

E-learning 2.0: Ferramentas mais Usadas

A avaliar pelo número de referências em artigos científicos, notícias publicadas nos média e artigos em blogs, as ferramentas mais usadas em contextos de aprendizagem são, das citadas já neste trabalho, os blogs, o Twitter, o YouTube, o Flickr ou a Wikipedia. Têm sido efectuados estudos mais aprofundados sobre a utilização destas ferramentas no ensino como, por exemplo, o trabalho levado a cabo por Jane Hart, fundadora do Centre for Learning & Performance Technologies (C4LPT). Este trabalho apresenta uma lista anual das 100 ferramentas mais usadas no ensino contando para isso com a colaboração de 278 profissionais do ensino e das tecnologias de informação e comunicação. A maior parte das ferramentas listadas são ferramentas Web 2.0. Na lista de 2009, o Twitter aparece como a ferramenta mais usada. O Moodle é o primeiro LMS desta lista, na 14ª posição. A classificada por categorias, está resumida a seguir, apresentando-se as três ferramentas mais usadas em cada categoria:
Os mundos virtuais não aparecem em posições de destaque nesta lista, com o Second Life a ocupar apenas a posição 71.

A lista do C4LPT pode não ser totalmente representativa da realidade actual da utilização de ferramentas da Web 2.0. No entanto, fornece indicadores a ter conta no estudo das tendências que se verificam na utilização das ferramentas Web 2.0.

Outros estudos, como o relatório The Future of Higher Education: How Technology Will Shape Learning, apresentam também dados sobre a utilização de ferramentas da Web 2.0, neste caso aplicadas no ensino superior. O relatório aponta também tendências futuras na utilização de sistemas de e-learning. O estudo descrito neste relatório foi levado a cabo entre Julho e Agosto de 2008 e consistiu em inquéritos dirigidos a profissionais ligados a empresas e a instituições de ensino superior, a nível mundial. Os inquéritos revelaram que 71% dos inquiridos pertenciam a instituições que disponibilizavam cursos em e-learning. As redes sociais (56%), os videocasts (53%), os blogs (44%) e os wikis (41%) foram apontadas como ferramentas usadas por estas instituições. Relativamente às três últimas, os inquiridos que ainda não as usavam revelaram (cerca de 30%) a intenção de as adoptar num horizonte de cinco anos.

Ainda outro estudo sobre o que se passa no ensino superior em Portugal, revela também o interesse e o potencial de utilização de ferramentas da Web 2.0. A partilha de vídeos e imagens, o uso de blogs e as ferramentas de edição colaborativas aparecem como as ferramentas Web 2.0 mais usadas. As plataformas de e-learning (LMS) são, a nível geral, as ferramentas de e-learning mais usadas. Destaca-se neste estudo que as ferramentas da Web 2.0, apesar de ainda terem aplicação restrita, são conhecidas pela generalidade dos inquiridos e usadas a nível pessoal.

Monday, May 03, 2010

Redes Sociais e E-learning

As redes sociais no contexto da Web 2.0, designam o conjunto de sites que facilitam o contacto entre pessoas quer com objectivos meramente sociais quer com objectivos profissionais. Num contexto mais geral, as redes sociais definem-se como uma estrutura social formada por indivíduos ou organizações, designados por nós, que estão interligados entre si através de interdependências diversas (amizade, afinidade de interesses, relações profissionais, etc).

Uma rede social na Web 2.0 é um serviço que usa software para construir redes sociais on-line para comunidades de pessoas que partilham interesses e actividades e que estão interessadas em conhecer os interesses e actividades de outras.

Um dos primeiros sites sociais foi o Friendster, lançado em 2002, por dois programadores informáticos, Jonathan Abrams and Cris Emmanuel. Actualmente, este site social é sobretudo popular em países asiáticos. Na histórias das redes sociais, a sua génese é ainda referida em datas anteriores, sendo o SixDegrees, lançado em 1997 e desactivado em 2001, considerado por alguns como a primeira rede social na web. O nome do site está relacionado com a teoria dos seis graus de separação (também conhecida como Human Web), atribuída ao escritor húngaro, Frigyes Karinthy e publicada em 1929. Segundo esta teoria, se cada pessoa está a um grau de separação de todas as pessoas que conhece e a dois graus de separação das pessoas conhecidas pelas pessoas que conhece, então todos nós estaremos ligados a qualquer outra pessoa no mundo através de não mais de seis pessoas intermediárias. Esta teoria revela o que torna os sites sociais interessantes: mais do que permitir que as pessoas possam conhecer outras pessoas, antes estranhas, estes sites permitem que as pessoas tornem visíveis a outras as suas redes sociais. Pessoas que de outra forma nunca se teriam encontrado podem assim conhecer-se com base em qualquer afinidade que possuam.

Outros sites, lançados ainda antes, são também apontados como os pioneiros das redes sociais. É o caso do Classmates, criado por Randy Conrads em 1995, uma rede social activa inicialmente na América do Norte que reunia pessoas que tivessem sido colegas de escola em vários níveis de ensino.

Outros exemplos muito populares são o Facebook, actualmente com 400 milhões de utilizadores, e o MySpace (ambos lançados em 2004) de carácter mais lúdico ou o LinkedIn (2003), uma rede social sobretudo de contactos profissionais. Em Fevereiro de 2010, a Google, que já tem vários serviços de referência na Web 2.0, lançou também a sua rede social, o Google Buzz. Esta nova aplicação integra-se com o Gmail e pretende concorrer com o Facebook. Esta incursão no universo das redes sociais não é pioneira uma vez que a Google já havia lançado a rede Orkut em 2004. Esta não teve no entanto o sucesso esperado e implantou-se sobretudo na América do Sul sendo actualmente operada pala Google Brasil.

O papel que as redes sociais, como o Facebook, podem ter no ensino, particularmente no que diz respeito à sua utilização na sala de aula, ainda não é claro. Segundo algumas perspectivas, a utilização deste tipo de serviços no ensino é pouco clara havendo mesmo quem defenda a sua não utilização. As redes sociais, são espaços de socialização, muitas vezes informal destinadas a manter relações com outros utilizadores. Apesar deste tipo de ferramentas ser uma das faces mais visíveis da Web 2.0 a sua aplicação ao ensino é pouco óbvia e a sua aplicação ao e-learning poderá ser apenas no sentido de poderem suportar comunidades de prática.

Alguns dos defensores da utilização de redes sociais na sala de aula e no ensino em geral, referem-no sobretudo na perspectiva da sua contribuição para a literacia digital dos alunos e não tanto como uma ferramenta de aplicação directa. Outras propostas de utilização de redes sociais no ensino, como o recente Google Buzz, são apresentadas na perspectiva de integrarem outras ferramentas da Web 2.0, como o microblogging, partilha de conteúdos multimédia ou a sindicância de conteúdos.

No entanto, a importância crescente das redes sociais não pode ser ignorada pelos profissionais de ensino. Em Março de 2010 vários media noticiaram o facto do Facebook ter ultrapassado o Google nos EUA, enquanto site mais visitado. Esta popularidade do Facebook verifica-se sobretudo em países da Europa ocidental e nos EUA. Por exemplo, o grupo do Facebook dedicado ao ensino (Facebook in Education), que reúne pessoas com interesses na área, sobretudo professores e investigadores, conta com cerca de 268.000 fãs.

A plataforma TOPYX é uma solução de e-learning que incorpora recursos do Facebook e de outras redes sociais com o objectivo de enriquecer a experiência de aprendizagem do aluno, tirando partido de ferramentas da Web 2.0. Um utilizador, no seu perfil do Facebook pode ainda incorporar pequenas aplicações existindo um número significativo delas com potencial de utilização para fins pedagógicos.

Para além das aplicações genéricas de redes sociais existem plataformas que permitem a criação de redes sociais individualizadas. Uma delas é a plataforma Ning, lançada em 2005, muito utilizada para formar redes sociais de professores e educadores. Um dos co-autores da Ning é Marc Andreesen, também criador do navegador de internet Netscape.

Sunday, May 02, 2010

Microblogging no Ensino

Os microblogs permitem partilhar recursos e manter pequenas conversas entre os utilizadores deste tipo de serviços. A expressão “pequenas conversas” resulta da limitação, em número de caracteres, dos posts que os utilizadores podem efectuar. Estes posts podem ser efectuados por diversas formas: SMS (Short Message Services, a conhecida aplicação usada em telefones móveis), serviços de Instant Messaging, correio electrónico ou via web. O exemplo mais conhecido e de maior sucesso é o Twitter, criado em 2006 por Jack Dorsey. Os posts (tweets) neste serviço estão limitados a 140 caracteres. A ideia de base da participação no Twitter é dada pela expressão “what are you doing?’” (o que estás a fazer?) significando que num dado momento, qualquer utilizador aderente pode partilhar com os outros algo que esteja a fazer. Essa partilha pode envolver factos completamente triviais ou comunicar algo verdadeiramente relevante. Em conferências e outros eventos similares estes serviços têm sido usados, por exemplo, para permitir que pessoas fisicamente ausentes dos espaços onde os eventos decorrem possam participar. Tal é possível desde que exista um participante fisicamente presente que relate o que de relevante está a acontecer enviando posts através do Twitter ou outro serviço semelhante.
Outros exemplos de sites de microblogging são o Pluckr, popular sobretudo em países asiáticos e o Tumblr.

Os sistemas de microblogging permitem a partilha de recursos e participação em pequenas conversas e trocas de ideias. Apesar de existirem vários serviços, o Twitter é a referência. Este tipo de serviços podem ser usados pelos alunos para constituirem redes sociais com outros alunos. Estes podem ser incentivados a seguir pessoas de destaque numa determinada área, podendo participar em conversas com especialistas. A partilha de recursos e a possibilidade de acompanhar à distância conferências e outros eventos são outras possíveis aplicações de serviços como o Twitter. As aplicações de microblogging têm, no entanto, o inconveniente de muitas mensagens serem banais e desprovidas de interesse, em muitos casos revelando algum narcisismo dos seus autores. A sua aplicação no ensino obriga a disciplina e algum controlo na forma de utilização destas ferramentas. O interesse de utilização da ferramenta terá de ter em conta as pessoas que se segue e a qualidade da informação que se partilha.
Sobre os serviços de microblogging aplicados em sistemas de E-learning 2.0 pode-se destacar o seguinte:
  • Constituem um canal de comunicação alternativo entre alunos e professores;
  • Permitem manter um registo actualizado das actividades de um curso e destacar marcos importantes durante o desenrolar do curso;
  • O serviço posiciona-se num ponto intermédio entre as ferramentas síncronas (p.e. Google Talk ou Skype) e as ferramentas assíncronas (p.e. correio electrónico ou blogs);
  • Facilidade de utilização dada a possibilidade de acesso a partir de dispositivos móveis;
  • Disciplina na comunicação, obrigando a mensagens sintéticas dadas as limitações em número de caracteres.
Exemplos de experiências de utilização do Twitter na sala de aula:

Thursday, April 29, 2010

Wikis em E-learning

Um wiki é um website que pode ser facilmente editado por qualquer utilizador autorizado. O exemplo mais conhecido deste tipo de ferramentas é a Wikipedia. Os wikis são ferramentas colaborativas que proporcionam o desenvolvimento de trabalho de grupo. Cada utilizador pode editar conteúdos já existentes, inclusivamente apagá-los e pode criar novos conteúdos. Os wikis normalmente mantêm um histórico que permite aceder a versões anteriores de um determinado conteúdo e funcionalidades que permitem repor versões antigas. A Wikipedia é também um bom exemplo da aplicação da inteligência colectiva que caracteriza a Web 2.0. No entanto, o facto de qualquer utilizador poder editar conteúdos tem obviamente desvantagens pois são possíveis actos maliciosos sobre esses conteúdos. É também aqui que a inteligência colectiva actua monitorando os conteúdos activos. A expressão “inteligência colectiva” (no original, “wisdom of crouds”) é atribuída a James Surowiecki, um colunista do jornal The New Yorker que a divulgou num livro com o mesmo nome). Este conceito revela o bom senso que resulta da tomada de decisões em consenso.

O termo wiki teve origem na expressão "wiki wiki" que significa “rápido" na lingua havaiana. Também tem sido considerada como acrónimo para “what I know is” (o que eu sei é). Ward Cunningham, um programador americano foi o autor do primeiro software wiki, a WikiWikiWeb, lançado em 1994.O objectivo consistia em conseguir uma ferramenta que permitisse partilhar e editar documentos de forma colaborativa.

A utilização de wikis no ensino permite a realização de trabalhos de grupo e o desenvolvimento de outras actividades colaborativas, permitindo a interacção entre professores e alunos. O professor pode acompanhar a evolução do trabalho desenvolvido por alunos analisando o histórico de modificações. Com os wikis é também possível construir comunidades de aprendizagem. A distribuição de informação aos alunos e a produção colaborativa de conteúdos são outras possibilidades de utilização de wikis assim como a produção de FAQ sobre um determinado conteúdo ou curso.

Na aplicação de wikis ao ensino destacam-se as características seguintes:
  • Criação e utilização gratuitas, apesar de existirem também serviços pagos.
  • Os conteúdos podem ser editados e actualizados em qualquer momento.
  • Permitem criar um ambiente colaborativo entre os alunos e entre estes e os professores.
  • Vulnerabilidade de conteúdos, uma vez que podem ser livremente alterados, eliminados ou adulterados, obrigando a controlo.
Existem disponíveis on-line diversas ferramentas que permitem criar wikis. Dessas ferramentas pode-se destacar a PBworks, anteriormente designada por PBwiki. No site Wikimatrix é possível encontrar uma listagem muito completa de várias aplicações que permitem criar wikis. A PBworks é referenciada como a ferramenta mais usada a nível empresarial e na área do ensino. Este site permite ainda apresentar quadros comparativos das funcionalidades de aplicações seleccionadas. A Wikipedia apresenta também uma lista similar.

Wednesday, April 28, 2010

Blogs no E-learning 2.0

Um blog ou web-log é um website que apresenta posts por ordem cronológica inversa. Um post pode ser um parágrafo de opinião, de informação diversa ou carácter pessoal (como um diário), podendo conter ligações para outros websites. O termo weblog é atribuído a Jorn Barger que o terá inicialmente referido em 1997 e que mantém o blog Robot Wisdom.
Os blogs podem também permitir a colocação de comentários por parte dos visitantes. A cada post podem ser associadas tags que permitem a sua classificação. Esta classificação é útil para recuperar o post após o seu arquivamento (muitos blogs mantêm arquivos dos posts mais antigos) ou para o associar a posts sobre o mesmo tema. Um blog pode ser mantido por uma única pessoa ou por várias.
A criação de um blog é um processo simples e acessível a qualquer utilizador. Existem aplicações gratuitas na Web que permitem, criar e gerir blogs, bem como armazenar o seu conteúdo com o por exemplo o Blogger. Para usar esta aplicação basta possuir uma conta Google (foi adquirida pela Google em 2003).
Entre os utilizadores de blogs é habitual o recurso à sindicância de conteúdos usando RSS ou Atom. O conteúdo é organizado em feeds (fontes) que depois podem ser acedidos usando agregadores de feeds e outras ferramentas. Os navegadores de Internet mais recentes possuem já funcionalidades de leitura de RSS. Desta forma, um seguidor de vários blogs pode ser notificado sobre as actualizações desses blogs sem ter de os visitar regularmente.
A comunidade de utilizadores de blogs e o universo dos vários blogs activos, cujo número será na ordem das centenas de milhões, é conhecida pela blogosfera (do inglês blogsphere). Para além de texto, é possível colocar outros conteúdos como fotografias e vídeo e inclusivamente colocar posts partir de dispositivos móveis. A título de exemplo, pode-se referir o blog O’Reilly Radar, da editora O’Reilly, que acompanha e comenta as tendências tecnológicas, particularmente na área das tecnologias de informação e comunicação. Outro exemplo, de uma área bem diferente, é o blog da Casa Branca, promovido pelo actual presidente dos EUA e que de alguma forma revela a importância que esta forma de comunicar tem vindo a assumir.
Como exemplos de blogs ligados ao mundo das tecnologia podem-se indicar o ReadWriteWeb ou o Engadget.
Existem actualmente dezenas de milhões de blogs registados, com maior ou menor grau de actividade. O website Technorati é um motor de busca colaborativo para blogs que recorre às tags definidas nos posts dos blogs.

A utilização de blogs em sistemas de e-learning 2.0 é útil para a participação individual de cada aluno, divulgando as suas opiniões sobre determinado assunto ou resultados de trabalhos desenvolvidos, sujeitando-as à apreciação de outros que podem colocar comentários no blog. Os blogs permitem a partilha de conhecimentos e experiências e contribuem para o desenvolvimento de comunidades de prática. Outra aplicação dos blogs é a sua utilização para a criação de portefólios digitais. Os blogs também têm sido usados para produzir ambientes de aprendizagem dinâmicos, não exigindo aos professores conhecimentos de HTML, e para suportar trabalho colaborativo. Um professor pode também usar um blog para manter informação actualizada sobre as actividades de um curso e disponibilizar artigos relacionados com os conteúdos e outros recursos.
As características dos blogues úteis do ponto de vista da sua aplicação ao ensino são as seguintes:
  • Criação e utilização gratuitas;
  • Facilidade de criação e manutenção exigindo apenas competências técnicas básicas;
  • Interactividade através da publicação de conteúdos que podem ser comentados;
  • Facilidade de actualização, bastando um acesso à Internet (o blog pode ser actualizado a partir de dispositivos móveis);
  • Possibilidade de interligação com outros blogs e sites;
  • Elevado dinamismo pela rapidez e facilidade de publicação de conteúdos.
Os blogs são uma das principais ferramentas usadas no campo do ensino (provavelmente por ser mais antiga e com larga divulgação). Os blogs são usados individualmente por professores, alunos ou gestores de instituições de ensino para além de integrarem as próprias actividades pedagógicas.
A importância dos blogs no ensino é ilustrada pela visão de Stephen Downes: “the e-learning application, therefor, begins to look much like a blogging tool”.

Tuesday, April 13, 2010

Web 2.0

Talvez a melhor forma de definir o conceito que se popularizou sob a designação de “Web 2.0” seja a afirmação de Dion Hinchcliffe: “Web 2.0 is made of people” (A Web 2.0 é feita de pessoas). A designação popularizou-se a partir de 2004 sendo atribuída a Dale Dougherty, vice-presidente da O´Reilly Media, uma editora de livros técnicos na área da computação. O termo foi mais tarde definido por Tim O’Reilly, o fundador da O´Reilly Media, que apresentou a Web 2.0 como sendo uma visão da World Wide Web como uma plataforma. Curiosamente, existem referências anteriores a uma Web 2.0, alegadamente feitas em 1999 por Darcy DiNucci que antevia uma Web mais interactiva e mais presente no nosso quotidiano. A aplicação do termo não é, no entanto, consensual, contando mesmo com a oposição do próprio criador da World Wide Web, Tim Berners-Lee.

Existem várias definições sobre o que é a Web 2.0 como a que é proposta por Tim O´Reilly: A Web 2.0 é a rede como plataforma, abarcando todos os dispositivos conectados As aplicações Web 2.0 são aquelas que aproveitam ao máximo as vantagens intrínsecas dessa plataforma:
  • Fornecimento de software como serviço continuamente actualizado e que melhora quanto maior for o número de pessoas que o usam;
  • Consumo e remistura de dados de várias fontes, incluindo os de utilizadores individuais que, ao fornecer os seus próprios dados e serviços, permitem a reutilização por outros;
  • Criação de efeitos de rede através de uma "arquitectura de participação".
  • Existem outras definições idênticas como a proposta por Michael Platt ou a que é fornecida pela Wikipedia (que é também um dos bons exemplos da Web 2.0), contando também com uma versão na Simple English Wikipedia: Web 2.0 é a designação da nova forma de usar a Internet:
  • Web 2.0 é simples: qualquer pessoa pode facilmente publicar conteúdos;
  • Web 2.0 é social: é fácil as pessoas ligarem-se com outras pessoas:
  • Web 2.0 é aberta: sites web e aplicações podem facilmente trocar informação com outras fontes.
Mais do que representar inovações tecnológicas, as definições acima revelam que o termo marca uma nova forma de utilização da Web. Enquanto que na Web 1.0, o utilizador era sobretudo um consumidor de informação, sendo poucos os que a produziam, na Web 2.0 os utilizadores são simultaneamente produtores e consumidores de informação. Essa informação assume os formatos de texto, áudio e vídeo. A classificação desses conteúdos (tagging), a sua partilha e troca de comentários trouxe a dimensão social à Web gerando comunidades de utilizadores. Estas comunidades originaram as conhecidas redes sociais como o Facebook, o MySpace ou o LinkedIn. Estas redes podem ter um carácter meramente lúdico ou servir propósitos de natureza profissional.
As aplicações da Web 2.0 caracterizam-se pela sua permanente actualização e evolução dizendo-se que se encontram num estado designado por “beta perpétuo” (permanent beta).
Outra inovação introduzida pela Web 2.0 foram as “mashups”. Este termo designa um tipo de aplicações que usam conteúdos de mais do que uma fonte, criando um novo serviço. Qualquer utilizador, teoricamente, pode aplicar este conceito, combinando dados de diferentes origens e gerando um novo serviço designado por mashup, um termo com origem no universo da música indicando a combinação de duas peças musicais distintas, muitas vezes de épocas e géneros também distintos, dando origem a uma nova peça musical. As aplicações “mashup” mais populares combinam informação georeferenciada, num mapa web, com informação de outras fontes (por exemplo, associar uma morada ou uma referência a um local com uma localização num mapa). A característica de qualquer utilizador poder criar este tipo de aplicações e a possibilidade de juntar informação de diferentes fontes ilustra os conceitos de simplicidade e abertura da Web 2.0 expressa na definição da Simple English Wikipedia apresentada acima.

A Web 2.0 trouxe assim uma nova forma de ver e de usar as tecnologias de informação e comunicação. As tecnologias, as aplicações e as redes passam a ser vistas como uma plataforma de prestação de serviços a comunidades de utilizadores. Estas comunidades são constituídas por pessoas que partilham informação e experiências, interagem de forma colaborativa, para fins lúdicos, profissionais e de enriquecimento pessoal. O utilizador das redes de comunicação deixa de ser um consumidor de informação para ser também, em simultâneo, um produtor. A informação ganha valor acrescentado através da partilha e da contribuição de diversos utilizadores. Esta utilização activa e participativa contribui para o desenvolvimento de uma inteligência colectiva.

As novas tendências colocadas pela Web 2.0 têm consequentemente efeitos em todas as áreas onde as tecnologias de informação e comunicação estão presentes. As áreas do ensino e da formação, e em particular o e-learning, não foram excepção. Esta mudança de paradigma da Web originou também o e-learning 2.0.

As ideias principais que constituem o paradigma da Web 2.0 e particularmente a parte que poderá interessar mais directamente ao ensino podem ser sintetizadas nas visões de três importantes referências no universo da Web (Tim Berners-Lee, cuja visão de uma Web participativa é anterior à Web 2.0 e Tim O’Reilly) e do e-learning (Stephen Downes):

I have always imagined the information space as something to which everyone has
immediate and intuitive access, and not just to browse, but to create.
” (Tim Berners-Lee).

There’s [in Web 2.0] an implicit ‘achitecture of participation’, a built-in ethic of cooperation, in which the service acts primarily as an intelligent broker, connecting the edges to each other and harnessing the power of the users themselves." (Tim O’Reilly).

For all this technology, what is important to recognize is that the emergence of the Web 2.0 is not a technological revolution, it is a social revolution.” (Stephen Downes).