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Friday, June 11, 2010

E-learning 2.0: Ponto de Situação

É um facto assente que os educadores actuais reconhecem, em cada vez maior número, a importância das tecnologias nas actividades pedagógicas. Para além das potencialidades inerentes ao uso das ferramentas que a tecnologia proporciona está também presente a necessidade de adaptar as actividades pedagógicas às vivências da geração mais jovem, que ficou conhecida pela “net generation”. A convivência com a tecnologia não se restringe, no entanto, apenas aos indivíduos que nasceram quando o mundo desenvolvido já se encontrava imerso em tecnologia. A geração dos pais desses jovens, onde se incluem os seus educadores, e mesmo a geração anterior a essa, convive já regularmente com a tecnologia e com um mundo onde o acesso à informação é permanente.

O termo “e-learning”, apesar de muitas vezes conotado com o ensino à distância, não presencial, representa a utilização de diversas ferramentas tecnológicas no ensino, em particular, aquelas relacionadas com as tecnologias de informação e comunicação. Seja como auxiliar ao ensino tradicional presencial, seja em sistemas de ensino à distância, seja em sistemas mistos (blended), o e-learning é já indissociável do ensino.

As redes de comunicação, em particular a Internet, contribuem de forma significativa para as ferramentas ao dispor do ensino. A evolução da Internet, o surgimento da World Wide Web e, mais recentemente, o paradigma da Web 2.0, implicaram mudanças que tiveram particular impacto a nível social. Este efeito na sociedade afectou também os sistemas de ensino e os métodos pedagógicos. Na vertente tecnológica, o termo “e-learning 2.0” reflecte as mudanças introduzidas pela Web 2.0 no ensino assistido pelas tecnologias.

Um “mapa mental”, da autoria de George Siemens, procura fornecer uma visão de conjunto do e-learning:


Para lidar com a realidade introduzida pelo paradigma da Web 2.0, surgiram novas teorias de aprendizagem como o construtivismo social ou o conectivismo. O papel das ferramentas tradicionais de e-learning, os LMS, tem sido também analisado tendo em conta as ferramentas da Web 2.0. As mudanças sociais e tecnológicas tiveram também impacto na forma como ensino é visto. A aprendizagem já não é considerada apenas como um processo formal, controlado e limitado no tempo e espaço, mas algo que ocorre em diversas circunstâncias da vida das pessoas, que é fruto de fontes variadas e que tem de lidar com uma quantidade de informação que evolui rapidamente. A aprendizagem é omnipresente na vida do indivíduo e desenrola-se ao longo da sua vida (“anytime, anyplace, anywhere, for any reason”).

Dado que a informação deixou de ser um bem escasso, a dificuldade é agora saber gerir e filtrar a informação disponível. Mais importante do que o que se sabe é saber como chegar à informação e seleccionar a que é relevante com a consciência de que o prazo de validade dessa informação é cada vez mais curto. Na visão de George Simens, o saber como e o saber o quê estão a ser suplantados pelo saber onde (“know-how and know-what is being supplemented with know-where”).

O processo de aprendizagem, no contexto do e-learning 2.0, passa então a estar centrado no indivíduo, que possui maior controlo sobre esse processo. Os PLE e os e-portefolios são alguns dos lados visíveis deste novo processo. A aquisição de conhecimento resulta da interacção com comunidades, da aprendizagem entre pares e do contacto especialistas nas várias áreas de conhecimento. O processo tradicional em que o professor detinha e transmitia conhecimento, com os alunos a ser os receptores desse conhecimento, passa para um processo em que alunos e professores são produtores e consumidores de conhecimento. Esta forma de disseminar o conhecimento corresponde à visão da Web 2.0 como uma plataforma participativa e colaborativa de leitura e escrita (a read/write web). Tudo isto obriga a repensar o papel dos professores e o próprio conceito de sala de aula.

Apesar da mudança estar em curso, o seu impacto nos sistemas de ensino tradicionais ainda não é muito visível. Os investimentos feitos pelos estados e pelas instituições de ensino revelam-se mais a nível de equipamentos e infraestruturas do que nível dos currículos e processos de ensino. Existem várias experiências de aplicação das ferramentas do e-learning 2.0 mas muitas delas são ainda processos isolados e pontuais. Nem todos os educadores estão ainda conscientes das novas realidades. A iliteracia digital de muitos profissionais do ensino é uma barreira à adopção dos novos métodos pedagógicos que o e-learning 2.0 preconiza. Parte da sociedade actual vê ainda com alguma desconfiança as mudanças sociais que as tecnologias e a Web 2.0 têm introduzido. E algumas dessas preocupações poderão ser pertinentes. O prémio Nobel da literatura de 1998, José Saramago comentou, de forma crua, a utilização do Twitter (ver este post). A visão crítica de outros sectores da sociedade, sobre o uso e efeitos das tecnologias, deve ser encarada com objectividade e ponderação e ser usada como elemento moderador por todos aqueles que desenvolvem tecnologias e investigam a sua utilização nas várias áreas de actividade, onde o ensino é uma área particularmente sensível.

Thursday, May 20, 2010

Teorias de Aprendizagem

As teorias de aprendizagem mais divulgadas e usadas em ambientes de aprendizagem são o behaviorismo, o cognitivismo e o construtivismo. O behaviorismo baseia-se nos aspectos objectivos e observáveis da aprendizagem. O cognitivismo vai para além dos comportamentos observáveis e aborda também os processos mentais, particularmente ao nível da memória. O construtivismo defende que o aprendente adquire conhecimento contruindo conceitos e ideias baseadas em experiências e conhecimentos anteriores. Estas teorias, apesar de ainda serem aplicadas em sistemas de e-learning, foram desenvolvidas antes da utilização das tecnologias de informação e comunicação nos processos de ensino. A componente social da aprendizagem também não é considerada. Assim, estas teorias não têm em conta as implicações da utilização de meios tecnológicos nem a natureza social da aprendizagem no paradigma do e-learning 2.0.

Para dar resposta às novas realidades introduzidas pelo e-learning e em especial, com o impacto das ferramentas da Web 2.0, têm sido usadas outras teorias de aprendizagem para suportar os novos ambientes de aprendizagem. Uma dessas teorias é o construtivismo social. Esta teoria baseia-se no trabalho de Lev Vygostsky, um psicólogo russo do início do século XX. Esta teoria, adaptada à realidade contemporânea, defende que a aprendizagem é uma actividade social. O conhecimento é adquirido a partir de diversas fontes existentes no ambiente do aprendente. Essas fontes são de natureza diversa podendo incluir informação em suporte digital, experiências individuais e interacções com um professor no papel tradicional de transmissor de conhecimento. A colocação do aluno no centro do processo de aprendizagem, com suporte na tecnologia (“shift from teaching with technology to learning with technology”) e a interacção entre pares, professores e especialistas nas várias áreas de conhecimento são aspectos essenciais do construtivismo social que vêm ao encontro das características já apontadas para os sistemas de e-learning 2.0.

O construtivismo social, no entanto, não é consideradao por alguns dos especialistas na área como a teoria mais completa no contexto do e-learning 2.0. Segundo George Siemens, autor do conectivismo, o construtivismo social, centrado no indivíduo, não considera o conhecimento que ocorre para além da pessoa, ou seja, aquilo que se aprende e que é armazenado e manipulado pela tecnologia. O conectivismo procura também descrever os processos de aquisição de conhecimento dentro das organizações. Esta teoria defende que o conhecimento é adquirido muitas vezes informalmente (fora dos sistemas formais de ensino e das suas instituições) e que é um processo contínuo que ocorre ao longo da vida, em que o trabalho e a aquisição de conhecimento se confundem. Esse conhecimento evolui de forma muito mais rápida do que no passado e parte dele tende a ficar obsoleto num curto espaço de tempo (em algumas áreas pode corresponder a meses ou a poucos anos).

O conectivismo é assim uma teoria que descreve como é que o conhecimento ocorre na era digital. A aquisição de conhecimento é o processo de criação de redes (interacções com outros, pessoas e organizações). O conhecimento individual consiste então numa rede que alimenta instituições e organizações. Estas, por sua vez, disseminam esse conhecimento pela rede. A rede assegura assim o fornecimento de conhecimentos ao indivíduo. Mais importante do que aquilo que um indivíduo sabe num dado momento é a sua capacidade para adquirir mais conhecimentos.

Em resumo, os pilares fundamentais do conectivismo, que o distinguem do construtivismo social são:
A adaptação das teorias de aprendizagem clássicas e a proposta de novas teorias é um tema de investigação actual para fazer face às implicações inerentes à adopção da tecnologia no ensino. São disso exemplo propostas como o construcionismo de Seymour Papert, que aposta na utilização de tecnologia defendendo que a aprendizagem é mais eficaz quando se constroem objectos tangíveis. Ferramentas como o Second Life, com a possibilidade de construir artefactos digitais, podem contribuir para este objectivo em situações em que a criação de objectos reais não seja viável. Outro exemplo é a proposta de Morten Paulsen, a teoria da aprendizagem cooperativa, que aborda também a questão da aprendizagem em rede.

Tuesday, April 13, 2010

Tecnologia no Ensino

Uma visão interessante sobre a aplicação da tecnologia no ensino com uma visão do caso de Portugal. George Siemens é autor do Conectivismo, uma teoria de aprendizagem que reflecte as realidades do uso de tecnologias no ensino, em particular da Web 2.0.